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IPE lab: na sequidão do cerrado, uma correnteza de ideias

Novo laboratório da UFG visa dar materialidade às ideias empreendedoras

Gustavo Motta

Campus Samambaia, UFG. Quem caminha por ali, logo no início da tarde, sente o calor e o açoite do sol nas costas. Mas quem diria que, em meio ao tempo seco, em um dia de verão, brotaria um espaço para acolher as torrentes de ideias, experiências e saberes? Esse é o IPE lab, um projeto desenvolvido pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação (PRPI/UFG) em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que tem por objetivo trazer o frescor que ocupa o mundo das ideias ao plano da materialidade, e enriquecer experiências arrojadas de empreendedorismo. “Esse é um espaço que vai ser aberto à comunidade, onde as pessoas poderão colocar em prática suas ideias, criando protótipos e moldes de projetos”, destaca o pró-reitor Jesiel Freitas Carvalho.

Lançamento IPE lab

Laboratório aberto ao público para abrigar atividades em empreendedorismo e inovação

Para que as ideias saiam do papel, é necessário meios de criação. A estrutura do IPE lab conta com uma diversidade de ferramentas, como as tecnologias capazes de produzir materiais em 3D, tais como routers e impressoras. “A iniciativa desse projeto é motivada por uma decisão da UFG de criar ambientes que promovam o desenvolvimento da criatividade e da invenção, para que nossos estudantes, além de inventores e empresários, possam dar vazão à sua capacidade empreendedora”, acrescenta. Especificamente sobre os graduandos, Jesiel Freitas acredita que um dos grandes diferenciais do laboratório é a integração entre as diferentes áreas e a troca de conhecimentos. “O discente de Agronomia vai dividir espaço com o da Informática, que vai trocar ideias com o das Artes. E isso vai enriquecer muito os processos de criação”.

O espaço deve entrar em funcionamento em 2019. Uma página virtual está em construção e será lançada no início do ano, com todas as informações de acesso ao local. Contudo, o diretor adjunto do Parque Tecnológico Samambaia, Luizmar Adriano, antecipou que o laboratório será aberto ao público no início das aulas letivas da Universidade. “É uma grande satisfação ajudar a construir uma experiência desse tipo, que deve se expandir e servir ao empreendedorismo em todo o estado”, comemora. Isso porque o IPE lab no Campus Samambaia é apenas o primeiro de sete unidades que serão construídas no próximo ano, sendo quatro em Goiânia e três em cidades no interior goiano.

Tecnologias

Quem passar pelo prédio do laboratório, vai encontrar equipamentos especializados em impressão, cortes, e criação física de protótipos em geral. Gustavo Jordão, servidor técnico-administrativo do Planetário, ficou por conta de apresentar uma fresadora similar a que será instalada no laboratório. “A fresadora atua em movimento contínuo, e pode criar materiais cuja formação poderia ser inviável em impressoras 3D, devido à complexidade geométrica e composição material”. Diferente do torno, que cria objetos de modo giratório (como o processo artesanal de fabricação dos vasos), a fresadora mantém a peça estática.

Lançamento IPE lab

Tecnologias práticas e multifuncionais acessíveis à comunidade

“Conseguimos fazer moldes para injeção, engrenagens, materiais para laboratórios. Inclusive, no Instituto de Física (IF), criamos um porta materiais com essa máquina”, afirma Gustavo. A fresadora é controlada remotamente por um computador com software, oferecido pelo próprio fabricante. Enquanto Gustavo Jordão apresentava o equipamento para curiosos, a fresadora imprimia um modelo em três dimensões da logo que representa o laboratório. “É uma tecnologia prática, multifuncional, que permite a execução de muitas possibilidades criativas”, avalia.

Outro destaque do IPE lab é a impressora Zmorph, que derrete um material plástico e o transforma em objetos tridimensionais. “Os objetos são criados gradualmente, de modo análogo à construção de andares, em sentido multidirecional, o que permite fazer peças com diversas formas, relevos e gradações de cor”, destacou Thabata Ganga. A Zmorph atua com diversos tipos de matérias-primas, inclusive alimentos, como chocolates e massas de panquecas. Para as ciências biológicas, o equipamento é eficaz na reprodução de diversas mostras. Engenheira Biomédica, Thabata conta que a máquina permite reproduzir tecidos diversos.

Regionalidade e inovação

O nome do laboratório homenageia a natureza do cerrado ao fazer referência a uma das árvores mais bonitas da região: o ipê, cujas flores (roxas, rosadas, amarelas e brancas) costumam florescer por volta de julho. A diretora de Transferência e Inovação Tecnológica da UFG e pró-reitora adjunta de Pesquisa e Inovação, Helena Carasek, conta que, em breve, ipês serão plantados nas imediações do novo prédio. “Queremos criar um local prazeroso e bonito, visitado pela comunidade, onde todos poderão tirar fotos, entrar e conhecer o nosso trabalho”.

Helena Carasek conta que a escolha do nome ainda assimila o que há de mais arrojado nas tecnologias e denota o contato com o futuro sem tirar os pés da regionalidade. “Existe um duplo significado, a ligação do novo com o tradicional”. Ao mesmo tempo que homenageia a exuberância local, o nome “IPE” é uma sigla que aponta para ideia, prototipagem e empreendedorismo.  Em uma escala cronológica, as três palavras representam um processo criativo e significam, respectivamente, o surgimento de uma ideia, o experimento e a aplicação da mesma.

Lançamento IPE lab

Espaço pretende dar materialidade às ideias empreendedoras

Outro grande diferencial do IPE lab, segundo a pró-reitora, é a sinergia entre as pessoas, a cooperação, a troca de experiências, saberes e “pitacos”, capazes de contribuir com o melhoramento de ideias. “Queremos que as pessoas sejam constantemente estimuladas a aprimorar suas habilidades inventivas, e essa cooperação é fundamental, para que a ideia se torne um dispositivo funcional, e para que parcerias construtivas sejam criadas”, pontuou Helena Carasek.

Para Luizmar Adriano, o IPE lab tem potencial para exercer grande influência no desenvolvimento econômico regional. “Vamos receber empresários, estudantes e pesquisadores, que vão poder contribuir com seus conhecimentos para atender a demandas da sociedade”. O diretor adjunto do Parque Tecnológico Samambaia comemorou os esforços de expansão do projeto para outros pontos da capital e do interior goiano. “Teremos novas unidades na Escola de Agronomia (EA), Faculdade de Artes Visuais (FAV) e na quadra das Engenharias, além de laboratórios nas cidades de Goiás, Jataí e Catalão”. A iniciativa não apenas fortalece o empreendedorismo local, como descentraliza o fluxo e aplicação de ideias, e reduz as desigualdades regionais quanto ao atendimento de demandas da sociedade e, inclusive, mercadológicas.

O coordenador do Centro de Empreendedorismo e Incubação em Catalão (CEI Athenas), Marcelo Stoppa, comemora a expansão futura do IPE lab, e avalia que a instalação de laboratórios no interior é um “divisor de águas no empreendedorismo e na relação entre a sociedade e a Universidade no sudeste goiano”. O professor espera que um grande número de pessoas possa se beneficiar do espaço, quando o mesmo estiver em funcionamento.

Jesiel Carvalho conta que parcerias institucionais têm se firmado para a efetivação do IPE lab como local criativo. “Temos contado com o apoio da Funape (Fundação de Apoio à Pesquisa) e Fapeg (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás), além da parceria com o Sebrae, com quem vamos formalizar um cronograma para o próximo ano, e definir quais cursos e treinamentos serão oferecidos”. Ademais, empresas jovens e inovadoras (as chamadas “startups”) terão apoio no encaminhamento de projetos a serem prototipados no laboratório. Por isso, o local tem chamado a atenção, não apenas de membros da comunidade acadêmica, mas de representantes da área empresarial.

O superintendente do Sebrae em Goiás, Igor Montenegro, destacou que o IPE lab “deve tornar-se uma referência no atendimento a empresas com ideias transformadoras, baseadas na tecnologia e na inovação”. A entidade é parte do “Sistema S”, que abriga nove instituições, representativas de interesses das categorias profissionais.

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