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Tecnologia da UFG e Petrobras para análise petroquímica conquista patente

On 08/05/26 11:09 . Updated at 08/07/26 11:59 .

Dispositivo portátil entrega maior rapidez e precisão na detecção de compostos químicos

*Por Pedro Ortiz (PRPI/UFG)

A Universidade Federal de Goiás (UFG), em parceria com a Petrobras, obteve a concessão de uma importante patente pelo Escritório de Marcas e Patentes dos Estados Unidos (USPTO). O documento norte-americano (US 12,656,314 B2), expedido recentemente, protege um sistema portátil inovador voltado para o setor petroquímico, com tecnologia capaz de determinar a presença de monoetilenoglicol (MEG) de forma rápida, seletiva e diretamente no campo de trabalho.

O MEG é uma substância química amplamente utilizada na indústria do petróleo como inibidor termodinâmico. Durante a extração em altas pressões e baixas temperaturas, ocorre a formação de hidratos de gás — estruturas sólidas semelhantes a blocos de gelo que podem entupir os dutos e causar perdas severas aos equipamentos de produção. Nisso, o MEG é adicionado à tubulação justamente para evitar essa formação e, posteriormente, precisa ser recuperado. No entanto, a presença residual desse composto nas etapas seguintes de refino é prejudicial, pois pode causar a corrosão de dutos e o envenenamento de catalisadores, reduzindo a qualidade do condensado final.

Diante desse desafio, os inventores Kariolanda Cristina de Andrade Rezende e Wendell Karlos Tomazelli Coltro, ligados à UFG, em conjunto com Iris Medeiros Junior, da Petrobras, desenvolveram uma solução prática e eficiente. Trata-se de uma plataforma totalmente portátil composta de uma célula eletroquímica integrada com um sistema de injeção em batelada (BIA). O dispositivo utiliza um eletrodo de trabalho feito de óxido de cobre, permitindo que a análise química isole o sinal do MEG e ignore outras substâncias que poderiam interferir no resultado, como o etanol e outros glicóis.

O objeto da patente é o Sistema Portátil para Determinação de Monoetilenoglicol. Construído em material polimérico, o sistema substitui os testes tradicionais de laboratório, que exigem grandes volumes de amostras químicas e demoram a apresentar resultados. Com o uso de uma micropipeta eletrônica e agitação magnética, o equipamento consegue realizar a detecção em poucos segundos, usando apenas 15 microlitros de amostra, alimentado por bateria, o que viabiliza a testagem exata na própria área de extração e reduz a geração de resíduos ambientais.

A importância do processo de patenteamento

A aprovação de uma patente em solo norte-americano não é um trâmite simples. O processo no USPTO exige comprovação de que a tecnologia apresenta novidade global e utilidade industrial direta. Com a concessão, a UFG e a Petrobras detém o direito legal de exclusividade sobre a fabricação, o uso, a oferta e a venda da invenção. Para uma instituição pública de ensino superior como a UFG, o documento representa a consolidação do seu papel como um espaço de pesquisa e inovação. O resultado alcançado por meio dessa patente evidencia o valor prático das parcerias entre universidades e o setor produtivo.