Pesquisa de detecção de LSD da UFG é destaque na mídia
Microdoses já podem ser detectadas devido a método inovador
Texto por Marília de Paiva Siqueira
O laboratório do Grupo de Microflúidica e Eletroforese (GME) da Universidade Federal de Goiás (UFG) produziu um método inovador para identificação de LSD. Conduzido pela pós-doutora Larissa Melo, o trabalho foi desenvolvido em apenas 2 meses de experimentos, considerando, entretanto, a expertise das pessoas envolvidas no projeto: de coordenação do doutor (Wendell Coltro); mais dois pós-doutores (Larissa Melo e Daniel dos Santos); uma doutoranda (Sophia Lobo) e um mestrando (Daniel de Paula); além da valorosa colaboração de duas peritas da Polícia Civil de Goiânia, Thaynara Lino e Mariana Bonfim; um perito do Distrito Federal, Luciano Arantes e do professor externo Wallans T. P dos Santos (UFVJM).
De acordo com Larissa Melo, um dos objetivos das atividades desenvolvidas pelo GME é entregar os resultados das pesquisas acadêmicas à sociedade: “A gente trabalha muito com essa transferência tecnológica e uma das vertentes aqui do laboratório é a parte forense”, informa.
DEMANDAS SOCIAIS
As demandas de pesquisa na área são trazidas ao laboratório por peritos que necessitam de auxílio para o desenvolvimento de métodos de detecção de substâncias, tanto com interesse terapêutico, já popularmente utilizadas na Medicina para o tratamento de algumas doenças, como a quetamina ou cetamina, e outros como o LSD, que, apesar de ser reconhecido apenas pelo uso recreativo, atualmente está sendo utilizado também para tratamentos na área psiquiátrica, com a utilização de microdoses: “A demanda trazida pelos peritos foi a de desenvolver um método capaz de fazer a distinção entre o uso terapêutico e o uso recreativo porque se existe o interesse da sociedade nessas substâncias, nós precisamos saber se elas estão sendo usadas de forma lícita ou ilícita”, explica a pesquisadora.
O método desenvolvido foi considerado bem robusto para detecção, isso porque já existem na literatura várias formas de detectar o LSD. Dessa forma, a intenção do grupo de pesquisa foi trabalhar com métodos de triagem, que permitem que qualquer pessoa consiga aplicá-los (policiais e peritos sem especialização, inclusive), porque são métodos simples, de baixo custo, portáteis, e que podem ser feitos in loco.
“A aplicação dos testes já teve início na parte técnico-científica da Polícia Civil daqui de Goiânia, com a ajuda dos peritos. Com os equipamentos e soluções necessárias, testamos as amostras apreendidas suspeitas que estavam lá e, com o uso do nosso método, constatamos que todas elas tinham a substância, apesar da baixíssima concentração”, refere.
MÉTODO ROBUSTO
Ao explicar o que há de inovador no método, Larissa Melo explica que o diferencial é o fato de que ele possui três respostas analíticas, o que possibilita uma confiabilidade muito grande: “Com essas três respostas a gente consegue ter uma certeza maior se a substância está ou não presente na amostra. Neste ponto, é importante destacar que um falso-positivo poderia prejudicar a vida das pessoas, seja em um tratamento médico ou numa apreensão”, cita.
Ainda sobre o método, a professora explica que, à semelhança do LSD, várias outras substâncias são passíveis de detecção da mesma forma, como a catinona sintética, anfetaminas e alguns canabinóides: “Nós temos uma gama de pesquisas sendo realizadas”.
Além da detecção de quantidades ínfimas de substâncias químicas para fins forenses, o método pode ser utilizado para diferentes classes: ambiental, petroquímica, alimentícia, industrial, farmacêutica, etc.
TRABALHANDO HIPÓTESES
Dentre as valiosas informações trazidas pela professora Larissa Melo, está a de que, nos EUA está em alta o uso de LSD para fins recreativos, com matrizes diversas daquela propaganda pela mídia, conhecida pelo selo em papel mata-borrão e o uso terapêutico da substância é feito predominantemente na forma de spray, o que antes não existia e torna possível o uso recreativo por esta via.
“Por essa razão, neste trabalho, a gente fez pela primeira vez a aplicação na forma de spray: a gente simulou o spray nasal com a impressão 3D de um nariz. A gente simulou a aplicação e a coleta no nariz para alcançar o que seria mais próximo da vida real e, apesar de ainda não ser um problema no Brasil, caso venha a ser, a gente já está preparado para aplicar testes também desta forma”, e acrescenta: “Em outros países também, porque em sendo publicado o artigo em revistas internacionais, isso pode acabar resolvendo problemas fora daqui também”.


