Comitiva da UFG faz visita ao biotério da UnB
Grupo conhece as estruturas do recinto da universidade
*Por Marília de Paiva Siqueira
À convite do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Brasília (IB-UnB), na manhã da última quarta-feira (30), uma comitiva formada por médicos veterinários (Bruno Gonzaga e Ygor de Carvalho), arquitetos (Leonardo Dimitry, Gerani Félix e Adriano Reis), o diretor de projetos da Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra), Matheus Moller, o responsável técnico pelo Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública (IPTSP/UFG), a médica veterinária e coordenadora do Centro de Produção e Ciência em Biomodelos (CPCBio/UFG), Taís Andrade Dias de Souza e a pró-reitora adjunta de Pesquisa e Inovação e diretora de Pesquisa, professora Natália Aredes(PRPI/UFG), visitou as instalações do biotério da UnB.
Recebidos pelo médico veterinário, coordenador do Instituto de Biologia e responsável técnico do biotério na UnB há 15 anos, Jivago Rolo, a visita teve como principal objetivo apresentar as instalações destinadas à criação, gestão e manutenção de animais utilizados em ensino e pesquisa, os fluxos operacionais adotados, os procedimentos de manejo, biossegurança e gerenciamento, bem como compartilhar experiências relacionadas ao planejamento e à execução de adequações estruturais e operacionais necessárias ao atendimento das normas e diretrizes aplicáveis às instalações animais.
Jivago explicou que foram necessários 12 anos para concluir a obra, cuja estrutura abriga camundongos e ratos, mas visa, após a expansão, receber também insetos, como escorpiões. Além disso, atualmente, o espaço recebeu R$ 60 milhões investidos em equipamentos e tem 60 pesquisadores ativos.

O veterinário citou que, atualmente, o maior desafio à frente da administração do biotério é orientar os pesquisadores de que as normas mudaram e que as universidades, como a UnB, estão na vanguarda da pesquisa com outros países: “Para fazer isso, a gente tem que mostrar. Por exemplo, no meu laboratório, a gente tem um núcleo de experimentação animal e a gente faz a comunicação científica mostrando, com transparência, tudo o que evoluiu acerca da Lei 11.794/2008 [Lei Arouca, responsável por regulamentar o uso científico e didático de animais vertebrados no Brasil]”, relatou.
Outro ponto relevante citado neste sentido foi a necessidade de esclarecer acerca da substituição, refinamento e redução do número de animais: “É uma forma de tratar a pesquisa com transparência, tanto para o pesquisador quanto para a comissão de ética, que fica a par do cumprimento das normativas internacionais”, afirmou.
Na mesma linha de raciocínio, Jivago falou sobre a biossegurança, ressaltando que o biotério da UnB tem nível de biossegurança 2, razão pela qual é necessário atender não só às normas do Conselho Nacional de Controle e Experimentação Animal (Concea), mas também às normativas da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).

OTIMIZAÇÃO DOS BIOTÉRIOS E POPULARIZAÇÃO DO ACESSO À CIÊNCIA
Ao falar sobre a otimização dos biotérios num contexto geral, o veterinário defende que há a necessidade de se abrir a possibilidade para que este seja multiusuário: “Penso que, atualmente, é inadmissível pensar na salinha do pesquisador no biotério. Precisamos que todos utilizem os mesmos espaços porque, dessa forma, a gente otimiza todos os fluxos e reduz os custos”.
INTERCÂMBIO DE CONHECIMENTO
Para a coordenadora do CPCBio/UFG, a médica veterinária Taís Andrade Dias de Souza, a experiência foi enriquecedora, especialmente pela pluralidade de profissionais envolvidos: “O fato de a comitiva ter sido composta pela equipe da infraestrutura e os demais RTs de alguns biotérios da UFG foi muito importante para essa troca de experiências, além de ter sido uma oportunidade de a gente visitar uma estrutura adequada, já que acabamos de passar pela etapa de licenciamento do Concea, o que garante que as instalações estejam adequadas e possam oferecer o bem-estar e as condições ideais para cada espécie”, explicou.
Avaliado pelo órgão, as estruturas que não estiverem compatíveis com as exigidas terão o prazo de 5 anos para empreender adequações, de acordo com normativa do conselho.
Por fim, ao falar sobre a troca, o verdadeiro intercâmbio de conhecimento entre as duas grandes instituições de ensino superior, Taís destacou que é inegável o fato de que a UFG tem disponibilidade para buscar as melhores soluções: “Essa iniciativa deixa claro esse comprometimento com as instalações dos biotérios, com os nossos animais e, além disso, possibilita estabelecer parcerias com outras instituições, o que é muito importante”.
