ABERTURA

VI Seminário CIA aborda retratações científicas

En 13/10/26 15:15 . Actualizado en 13/10/26 15:15 .

Integridade da pesquisa e limites da produção do conhecimento acadêmico foram temas tratados na programação

*Por Marília de Paiva Siqueira

Nos últimos dias 8 e 9 de outubro, quinta e sexta-feira, respectivamente, o auditório do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública (IPTSP) recebeu a programação do VI Seminário de Integridade Acadêmica, realizado pela pró-reitoria de Pesquisa e Inovação da Universidade Federal de Goiás (PRPI/UFG) por meio do Comitê de Integridade Acadêmica (CIA). O tema abordado este ano foi ‘Retratações científicas e integridade da pesquisa: crises, correções e os limites da produção do conhecimento acadêmico’.

A programação do dia 8 contou com apresentação cultural musical e teve abertura oficial com mesa diretiva composta pelo pró-reitor de Pesquisa e Inovação, Wendell Coltro, representando a reitora da UFG, Sandramara Matias Chaves; a pró-reitora adjunta de Pesquisa e Inovação e diretora de Pesquisa, Natália Aredes; a professora Fernanda Nora, coordenadora do CIA e a professora Marina Pacheco, vice-coordenadora do CIA.

Ao iniciar sua fala, a professora Fernanda Nora, fez menção de solidariedade à Universidade Federal do Pernambuco (UFPE) pelo incêndio que acometeu um de seus prédios e prejudicou o prosseguimento de cerca de 200 teses e dissertações, concluindo que a comunidade acadêmica brasileira toda perde com o ocorrido.

Em seguida, adentrando ao tema do seminário, Fernanda registrou que o fato de o conhecimento científico ser provisório e passível de revisão não diminui seu valor: exige rigor dos métodos e abertura crítica, por isso, a correção do registro precisa ser visível, acessível e suficientemente explicável para que leitores, pesquisadores e instituições compreendam o que ocorreu e quais conclusões permanecem válidas.

A professora explicou que a integridade acadêmica não depende apenas de uma conduta individual, visto que se relaciona com as condições em que se pesquisa e publica, formação adequada, orientação responsável, critérios transparentes de autoria, gestão de dados, uso de inteligência artificial, revisão por pares, práticas editoriais consistentes e canais seguros para comunicar dúvidas ou suspeitas em contextos de intensa pressão por produtividade.

“Entre outros objetivos, este seminário visa abordar a questão sob diferentes aspectos: retratação como mecanismo de correção, sua relação com a confiança da ciência, as interfaces contemporâneas e a integridade acadêmica, ferramentas para localizar retratação, revistas desindexadas, editoras ou revistas predatórias”, esclareceu.

O pró-reitor de Pesquisa e Inovação, Wendell Coltro, avaliou a iniciativa do CIA de promover o IV Seminário de Integridade Acadêmica como essencial para a preservação da intangibilidade científica: “Vejo esse evento como uma grande oportunidade para abordar questões éticas, inclusive, porque atualmente não se pode desconsiderar o uso da inteligência artificial, tema importante a ponto de já nos ter instado a implementar, na UFG, um comitê para regulamentar o uso da IA”, informou.

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                                             Professor Wendell Coltro fala sobre a importância do VI Seminário CIA

A palestra de abertura ficou a cargo da professora Karen Santos-D’Amorim, da Universidade Federal do Pernambuco (UFPE), que abordou a temática: “Retratação como mecanismo de correção: como o monitoramento da integridade científica pode contribuir para a preservação da confiança pública na ciência”.

Já no dia 9 de outubro, a programação teve início pela manhã com uma mesa redonda composta por Laura Vilela Rodrigues Rezende, Daniela da Costa Britto Pereira Lima e Fausto Nomura sobre o tema “Tempos modernos: integridade acadêmica e suas interfaces contemporâneas”. Em seguida, foi aberto ao público um momento dedicado a perguntas.

 

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                                                                               Professora Daniela Lima, Laura Rezende, Fausto Nomura, Fernanda Nora e Daniel Brito

Houve, ainda, apresentação de 11 trabalhos, um workshop ministrado por Daniel Brito intitulado “Ferramentas para identificar retratações, revistas desindexadas e editoras e revistas predatórias” e também uma palestra de encerramento com Mariana Ribeiro, pesquisadora do Instituto Nacional do Câncer (INCA-RJ) e integrante da equipe investigativa do Retraction Watch, com o tema “Quem responde pela ciência na área da inteligência artificial?”.

Ao fazer um balanço sobre o evento, as coordenadoras do Seminário, professora Fernanda Nora e Marina Pacheco, registraram que foi um espaço de encontro, formação e diálogo sobre os desafios éticos e institucionais que atravessam a produção e a comunicação científica: “O seminário articulou reflexão, apresentação de Trabalhos, formação prática e intercâmbio entre diferentes áreas do conhecimento”, afirmaram.

A Coordenação do CIA acrescentou, ainda, que houve o registro da participação de 118 pessoas no conjunto do evento: “A adesão do público e a diversidade das atividades reforçam a importância de manter espaços institucionais de discussão, formação e cooperação em torno da integridade acadêmica”. Na oportunidade, as professoras agradeceram palestrantes, debatedores, autoras e autores dos trabalhos, bem como a equipe organizadora e todas as pessoas participantes.