Uma mulher sorridente, vestindo trajes estampados claros e um lenço na cabeça, posa em frente a um painel artístico da Universidade Federal de Santa Catarina. Ao seu lado, há um totem da SINOVA e uma mesa lateral exibindo diversos prêmios e certificados. O cenário colorido e as medalhas sugerem uma celebração de conquista acadêmica ou de inovação.

Professora do IQ/UFG recebe prêmio de inovação na UFSC

En 23/03/26 16:45 . Actualizado en 30/03/26 18:06 .

Suporte da Fapeg foi crucial para o reconhecimento do projeto no sul do país 

Por *Alexandre Elias

No dia 26 de fevereiro, a professora do Instituto de Química da Universidade Federal de Goiás (IQ/UFG), Sumbal Saba, conquistou a 2ª colocação no Prêmio Sinova UFSC 2025, no Centro de Eventos da universidade catarinense. Ao conquistar o pódio na categoria de Inovação em Processos, Saba dá mostras de como a pesquisa e inovação da UFG têm se desenvolvido em anos recentes.

A professora recebeu a premiação graças a uma pesquisa de sua autoria e do professor Jamal Rafique, que leciona no Programa de Pós-Graduação em Química (PPGQ/UFG). A investigação — denominada de Síntese de Derivados de Acil Selenoureia com Ação Antioxidante e Inibidora da Acetilcolinesterase para o Tratamento da Doença de Alzheimer — encontra-se com pedido de patente junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e é voltada ao tratamento da Doença de Alzheimer. 

Juntamente de Sumbal e Rafique, o projeto também foi conduzido por Tiago Elias Frizon e Antônio Luiz Braga, ambos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), instituição pela qual o pedido de patente foi solicitado. De forma conjunta, conseguiu-se descobrir uma nova classe de compostos químicos, que têm potencial de agir em dois dos principais mecanismos associados ao Alzheimer: a degradação de neurotransmissores cerebrais e o estresse oxidativo.

Segundo Sumbal, uma das moléculas apresentou resultado superior ao da galantamina — medicamento utilizado no tratamento do Alzheimer — na inibição da enzima acetilcolinesterase — responsável por degradar a acetilcolina. 

Para ilustrar melhor o funcionamento da molécula produzida, Sumbal fez uma analogia ao comparar o cérebro humano com uma cidade. Quando a cidade sofre falhas no sistema de comunicação de forma contínua (Alzheimer), entram em cena as moléculas, produzidas pelo grupo de pesquisadores, que são chamadas de derivados de acil selenoureia — que atuarão como técnicos de reparo da cidade. Essas moléculas bloqueiam a enzima responsável por degradar o sinal de comunicação entre os neurônios.

Com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), os pesquisadores conseguiram demonstrar a importância de seu projeto, que não foi o primeiro a receber fomento público. Além disso, Sumbal já teve outras diversas propostas aprovadas — todas concentradas em sustentabilidade — com aplicação possível nas áreas de Medicina, Ciência de Materiais, além de Inovação e Tecnologia. 

Trajetória
Sumbal Saba, que tem nacionalidade brasileira, nasceu no Paquistão e fez mestrado na Universidade de Peshawar, localizada em seu país de origem. Em 2012, teve oportunidade de fazer doutorado no Brasil e veio justamente para a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) se aprimorar em Química Orgânica. Após o término do doutorado, retornou ao Paquistão e, na época da pandemia de covid-19, em 2020, foi aprovada em concurso na UFG, onde pesquisa e dá aulas desde então.

*Alexandre Elias Barbosa de Faria é estudante de Estágio Obrigatório do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Goiás, orientado pelo Jornalista William Correia

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